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Domingo, Julho 3, 2022

Esta startup está tentando fazer bifes suculentos do nada

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Lisa Dyson e John Reed, o primeiro físico e o segundo cientista de materiais, trabalhavam juntos no Laboratório de Berkeley do Departamento de Energia e tinham um objetivo comum: eles queriam ajudar a conter as mudanças climáticas, e sabiam que uma maneira de fazer isso era olhar para a comida em nossos pratos. A agricultura é responsável por um quarto das emissões anuais de gases de efeito estufa – mais do que todo o setor de transporte – e a indústria da carne produz a maior parte das emissões. Apesar disso, as pessoas continuam se empanturrando de carne: o consumo global de carne está em torno de 350 milhões de toneladas por ano (aproximadamente 386 milhões de toneladas) e subindo. Em 2050, estima-se que a população global aumente para 10 bilhões de pessoas, o que significa que precisamos encontrar proteínas alternativas para alimentar todas essas bocas extras.

Mas a dupla não tinha decidido como fazer isso até que um dia eles se depararam com algumas pesquisas esquecidas da NASA da década de 1960. Um documento de 1967 explorou formas de alimentar os astronautas em uma longa jornada espacial, onde haveria poucos recursos. Uma das ideias era combinar micróbios com o dióxido de carbono que os astronautas exalavam para fazer comida. Como o programa espacial nunca chegou a Marte, a ideia nunca foi totalmente desenvolvida. Dyson e Reed decidiram pegar o conceito e seguir em frente. “Nós continuamos de onde eles pararam”, diz Dyson. Em 2008, esse conceito de décadas inspirou Dyson e Reid a fundar a Kiverdi, que usa dióxido de carbono reciclado para fabricar produtos como alternativas à base de micróbios ao óleo de palma e óleo cítrico.

Em 2019, eles desmembraram a Air Protein, uma startup sediada na Califórnia que visa fazer carne do nada. É aí que entra a Air Protein. A empresa está pegando dióxido de carbono – o pernicioso gás de efeito estufa que aquece nosso planeta – e transformando-o em um suculento bife ou um delicado filé de salmão. O processo é semelhante à forma como o iogurte é feito, contando com culturas vivas. A Air Protein cultiva micróbios hidrogenotróficos dentro de tanques de fermentação e os alimenta com uma mistura de dióxido de carbono, oxigênio, minerais, água e nitrogênio. O resultado final é uma farinha rica em proteínas, que possui um perfil de aminoácidos semelhante ao da proteína da carne. Mas como a empresa transforma isso em um peito de frango macio? “Acabamos de adicionar técnicas culinárias que oferecem as diferentes texturas que você procura”, diz Dyson – usando uma combinação de pressão, temperatura e técnicas de cozimento.

O potencial de economia climática da tecnologia é duplo. Primeiro, o processo em si é negativo em carbono, pois usa dióxido de carbono para produzir a proteína, e a Air Protein visa, eventualmente, extrair dióxido de carbono da atmosfera por meio de plantas de captura direta de ar. Segundo, o processo usa 1,5 milhão de vezes menos terra do que a carne bovina e reduz o uso de água 15.000 vezes em comparação com a carne bovina.

A parte mais crucial é tornar o processo competitivo em custo com a indústria de carnes, bem como com outras alternativas de carne, como soja e micoproteínas. Dyson destaca que a tecnologia da empresa não requer terra, usa recursos mínimos e depende de energias renováveis, que estão ficando cada vez mais baratas. “Nossa tecnologia nos permitirá não apenas ter uma boa relação custo-benefício desde o início, mas também ter uma estrutura de custos que continua a diminuir.” E a startup chamou a atenção dos financiadores: no início de 2021, arrecadou mais de US$ 30 milhões em financiamento de investidores, incluindo ADM Ventures, Barclays e GV. “Estamos tentando redefinir como a carne é feita”, diz Dyson. “Estou animado para fazer parte desse movimento.”


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