Quase metade do mundo está agora “degradado”

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Com nossas cidades, fazendas e modo de vida em geral, transformamos grandes áreas da Terra de seu estado natural, geralmente deixando-as piores do que antes, de acordo com um novo relatório. Pesquisadores descobriram que até 40% da área total de terra do mundo agora é classificada como degradada, com a Ásia, América do Sul e África especialmente afetadas.

Crédito da imagem: Pixabay.

O relatório foi publicado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), parte de um tratado juridicamente vinculativo que aborda a desertificação e os efeitos da seca com o qual quase todos os países concordaram. A UNCCD realizará sua próxima grande reunião, a COP15, na próxima semana, onde líderes e a sociedade civil buscarão colocar a restauração de terras na agenda política.

“A degradação da terra está afetando alimentos, água, carbono e biodiversidade. Está reduzindo o PIB, afetando a saúde das pessoas, reduzindo o acesso à água potável e agravando a seca”, disse Ibrahim Thiaw, secretário executivo da UNCCD, em comunicado. “A agricultura moderna alterou a face do planeta, mais do que qualquer outra atividade humana.”

Um problema crescente

A degradação da terra acontece quando a cobertura da terra é removida ou perdida, fazendo com que o solo e a matéria orgânica sejam lavados. Nós tendemos a pensar em terras degradadas como desertos áridos, florestas tropicais desmatadas por madeireiros ou áreas cobertas de cidades, mas também inclui áreas aparentemente verdes desprovidas de vegetação natural ou intensamente cultivadas.

A ONU descobriu que até 70% da área terrestre da Terra já foi alterada de seu estado natural, causando “degradação ambiental sem precedentes” e contribuindo também para o aquecimento global. Cerca de US$ 44 trilhões (metade do PIB anual do mundo) está em risco devido ao esgotamento dos recursos naturais, que fornecem muitos serviços valiosos a todos.

O relatório disse que entre 20% e 40% da superfície terrestre global está agora degradada, uma área do tamanho da África. No entanto, a estimativa é “conservadora” e pode ser maior na realidade, disse a ONU. A degradação é especialmente severa em regiões de terras secas, o que significa partes do mundo com escassez de água, que agora abrigam uma em cada três pessoas.

Mais do que qualquer outra atividade, a agricultura está em grande parte por trás desses impactos, segundo o relatório, com pelo menos 40% da superfície terrestre da Terra atualmente dedicada à agricultura – e metade dessas terras degradadas. A degradação na agricultura acontece em grande parte por causa desmatamento ilegalimpulsionado pela aplicação frouxa das leis e pela demanda do consumidor.

O caminho a seguir

O relatório destaca maneiras pelas quais ainda podemos parar e reverter os danos que causamos à terra da Terra – não com tecnologia futura, mas com ferramentas e know-how existentes. E há lugares que já começaram a investir em restauração de terras que estão vendo os benefícios, com exemplos de diferentes partes do mundo incluídos no relatório.

Um exemplo que se destaca é Iniciativa da Muralha Verde da África, que começou em 2007 para restaurar paisagens degradadas no extremo sul do deserto do Saara, da Etiópia, a leste, ao Senegal, a oeste. As comunidades locais assumiram a liderança do projeto com financiamento do Banco Mundial e do Green Climate Fund, disse a ONU.

No Níger, na África, os agricultores trouxeram de volta uma técnica tradicional que mistura árvores com terras agrícolas, na esperança de reverter décadas de desmatamento e degradação da terra. Essas árvores podem impulsionar o crescimento das plantações e melhorar a saúde do solo, enquanto fornecem às pessoas alimentos, forragem e combustível extras, facilitando suas vidas.

Enquanto isso, no Sudeste Asiático, com 24% de suas terras degradadas, a Indonésia vem investindo para proteger e restaurar suas turfeiras – que detêm uma grande quantidade de carbono. A ONU estima que cerca de metade dos 140.000 quilômetros quadrados de turfeiras do país foram drenados ou derrubados, levando a incêndios florestais mais frequentes.



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